O jardim da felicidade




Certa vez, um velho andarilho sonhou que passeava em um campo que se estendia infinitamente, em todas as direções, repleto das mais variadas flores. Havia um colorido surpreendente, vivo, e um aroma delicioso se espalhava pelo ambiente.

Depois de muito caminhar,  encontrou um jardineiro e então se aproximou e perguntou de quem era aquele jardim.

- Eu ganhei este presente de meus amigos e desde então tenho cuidado dele, para que todas as pessoas pudessem se beneficiar de suas maravilhas, exclamou o jardineiro.

- Eu nunca encontrei em toda minha vida tanta beleza… estar neste lugar me traz uma felicidade que eu nunca experimentei, disse o senhor.

- Você nunca viu algo semelhante porque este jardim representa as virtudes que conheci na vida… aqui estão reunidos todos os tesouros que o homem pode conquistar em busca de sua própria verdade. Cada flor representa uma lição diferente. As mais coloridas, representam os momentos em que as ações resultaram em grandes triunfos. Também há flores que não são tão belas, mas que possuem um aroma maravilhoso. Essas representam os momentos em que os erros conduziram a grandes sofrimentos, mas que através dessa experiência, produziram grandes transformações. Também há flores que trazem o aroma da amizade, do amor, da curiosidade, da inocência, do perdão, enfim… aqui estão todas as flores que o Criador plantou em algum lugar da criação e que pouco a pouco foram povoando o meu jardim.

E então disse o andarilho, pesaroso:

- Sabe, eu gostaria de ter algumas dessas flores no meu jardim. Ao longo da minha vida faltou boa parte desse colorido e o tempo se encarregou de me deixar ainda mais sombrio.

E o jardineiro, compassivo, respondeu:

- Com todos acontece igual. Mas como eu disse, este lugar foi criado para beneficiar a todos que dele se aproximam. Escolha as melhores flores para ter em seu jardim.

E exclamou o velho, ansioso:

- Eu quero as flores que representam o amor, a bondade, a paciência, a alegria e a perseverança!

Disse então o jardineiro:

- Claro… eu sabia que eram essas que você buscava e já as tinha separado. Aqui estão.

E então entregou um pequeno embrulho, cheio de sementes.

- Mas eu esperava as flores! – disse o velho.

- Aqui não damos flores, apenas sementes. Cultive-as e terás todas elas em teu jardim, algum dia.

- Mas eu estou velho. Temo que não haja tempo para chegar a ver as sementes vingarem.

- Não pense que isso tem a ver com o tempo de plantar e o tempo de colher. Isso tudo acontece agora mesmo, já está acontecendo. Não tente cultivá-las em seu próprio jardim, mas trate de dar essas sementes aos outros, dê a todos o que mais gostaria de cultivar… e a própria natureza se encarregará de plantar, em seu próprio jardim, as sementes da felicidade.

E então o homem acordou, com a estranha sensação de que sua vida estava recomeçando, naquele instante…


Inspirado no conto "A loja de Deus"


Adaptado por Roger Alves
Estudante de pedagogia, escritor, designer, poeta e autodidata.
Há 19 anos ministra palestras, oficinas e workshops sobre pensamento complexo, autoconhecimento, desenvolvimento de competências, estratégias de inovação e qualidade de vida, nos estados do RS, SC e PR.



Jac Bagis

2 comentários:

  1. Uau!
    Muito forte o texto.
    E não deixa de ser totalmente verdade...
    Sabe, muitas vezes queremos, procuramos, batemos na tecla do amor, do carinho, do companheirismo, mas sequer nos damos ao trabalho de fazer isso para com as pessoas.
    É um jogo hipócrita, como se quisessemos tudo para nós mesmos.
    Enfim, adorei o texto e o blog...

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  2. nossa que tocante,acho realmente que devemos pensar mais em ajudar as pessoas,por que o desejarmos aos outros deus nos dará em dobro.

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