o poder de um desabafo


Lembro-me quando criança, de uma mensagem trazida por um pastor na igreja onde minha mãe me levava com a temática sobre perdão. Eu deveria estar com sete anos, e em meio a folhas de cadernos e canetas que minha mãe levava para manter a mim e a meu irmão ocupados durante o culto, uma hora ou outra acabava por prestar atenção no que ele falava; numa certa altura, ele contou a história de duas irmãs que estavam a sete anos sem se falar, se odiavam mutuamente. E enquanto as duas não se sentaram, não desabafaram o que uma guardava da outra, enquanto não liberaram perdão, não se desligavam uma da outra. E este sentimento só as prejudicava... e à família também. A partir do momento em que uma pessoa resolveu ser uma ponte entre as duas, resolveram as suas diferenças e seguiram o seu caminho em paz.

Conforme fui crescendo, percebi que toda vez que me desentendia com alguém ou "ficava de mal", hora ou outra me lembrava daquela pessoa e meu semblante mudava... quem me olhava, percebia na hora. E sempre tive a mania de guardar tudo dentro de mim. Mas, de algum tempo para cá, depois que a minha vida deu um giro de 180º , deixei de guardar muita coisa e falar, desabafar, jogar pra fora. Isso me tem feito tão bem! Me sinto mais leve, solta... claro, não tem acontecido sempre até porque com determinadas pessoas eu não consigo, mas nas vezes que consegui foi magnifico!

E hoje estou me sentindo assim: leve, solta, livre... acredite, por mais de dois meses eu alimentava uma raiva contra uma pessoa e parecia que tudo contribuía para que eu me lembrasse dela. Tive até a infelicidade de conviver com um aluno com o mesmo nome da pessoa e toda vez que chamava a atenção do aluno, lá vinha aquela pessoa na mente. Pronto, meu dia acabou! Sotaque, time de futebol, frases feitas... tudo me lembrava... daí vinha a raiva, o mau-humor e coitada da minha melhor amiga que tinha que me ouvir! Por obra do destino, nossos caminhos se cruzaram e falei tudo o que eu estava querendo falar e falei... falei... falei... era como se eu estivesse presa e acabado de receber a liberdade, como se eu estivesse carregando um fardo muito pesado e de repente não precisasse mais. Passou.

E sabe o que me deixa indgnada? Por que passamos tanto tempo dedicando nossos pensamentos a pessoas que nos fazem mal e nos prejudicam? Temos dez amigos que nos amam e pensamos justamente naquele que nos odeia? Recebemos vários elogios e nos concentramos só nas críticas? Por que? Você tem a resposta?

Jac Bagis

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