Brigadeiros amargos



Eu estava casada a quase um ano com meu marido e vez ou outra me encontrava na casa das minhas amigas seja jogando conversa fora, assistindo a algum filme ou ajudando em alguma coisa. Hoje aos 31 anos vejo como eu deixava que determinadas pessoas me fizessem de boba. Anos depois descobri que meu círculo de amizade só havia pessoas que se aproximavam de mim porque eu tinha algo que elas queriam. Amizades por interesse.

Naquela época eu não conseguia enxergar o que hoje enxergo, e graças a essa intuição hoje consigo manter pessoas aproveitadoras longe, mas nem todas porque sempre tem alguma que escapa da minha "linha de raciocínio".

Nesse fim de semana eu fiz uma festinha para o Claudinho que fez 9 anos e ao enrolar os brigadeiros acabei me lembrando de alguém que me traz amargas lembranças.

A Brombilina (pra preservar a identidade da tal) me ligou avisando que ia fazer uma festa surpresa para o marido e queria a minha ajuda e de outra amiga (andávamos as três quase sempre juntas) e eu prontamente fui até sua casa ajudar no preparo dos quitutes. Nunca enrolei tanto brigadeiro na vida: mais de 500! A outra amiga só apareceu quando tudo estava quase pronto, só faltava desfiar a carne para fazer a "carne maluca", então ela desfiou. Na época eu era uma das poucas pessoas a ter computador e impressora em casa e então por conta própria fiz os convites pro pessoal e entreguei e fiz também uma faixa pra ser colocada na festa.

No dia seguinte, o dia da festa só esperávamos dar o horário e ver como seria a festa surpresa. A casa ficou cheia de convidados, foi muito emocionante na hora que o aniversariante chegou e encontrou tantas pessoas e tanta animação, com direito até dos famosos discursos. E eu, é claro, fiquei imaginando fazer a mesma coisa para meu marido (como de fato aconteceu alguns meses depois). A festa, pelo menos para mim, não foi melhor na hora dos agradecimentos da anfitriã: 

"Pessoal, quero agradecer a presença de todos na festa do meu marido, sem vocês não teria graça nenhuma. E essa festa seria impossível de ser realizada senão fosse a ajuda da minha grande amiga Tijolina (inventei um nome pra preservar a identidade da tal)". 

A única coisa que a Tijolina fez foi desfiar a carne e ela levou toda a glória. Meu marido foi o único que percebeu a minha decepção e na mesma hora "saímos à francesa" e fomos para casa. Depois desse dia a minha amizade com a Brombilina não foi mais a mesma porque eu guardei a mágoa dentro de mim e aos poucos fui me afastando, só me aproximando quando não havia jeito de "escapar", como em outras festas e velórios. De fato nunca toquei no assunto por achar que soaria infantil ou criancisse da minha parte. Mas com todo esse episódio aprendi uma lição: agradecer sempre a qualquer pessoa por qualquer coisa que tenha feito por mim. Se eu não me lembrar de todas as pessoas, não cito nomes e incluo todas.

Enquanto enrolava os brigadeiros me lembrei disso; aliás todas as vezes que enrolo eu lembro. E resolvi partilhar no blog porque percebi que toda vez que partilho algo aqui é como se eu liberasse certos demônios que me atentam e consigo superar de vez, principalmente com comentários que fazem com que eu reflita sobre o caso.

E essa semana aconteceu quase a mesma história, com a diferença que não haviam brigadeiros, mas promoções na internet que ajudo e quando a pessoa ganha, a mesma agradece a outras pessoas mas só lembra-se de mim quando a votação está apertada e sabe que tenho como conseguir outros votos. Mas, infelizmente algumas pessoas só conseguem enxergar aquilo que querem e desejam e se esquecem que por detrás de cada pessoa que a rodeia existe um ser humano que pensa, age, ama e sofre.

Jac Bagis

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