Tudo tem o seu tempo


Eu fico impressionada com as voltas que a vida dá. Principalmente no que se diz respeito à lei da semeadura e colheita: 

"Se não gosta do que está plantando, olhe para trás e veja o que plantou."

"Você pode escolher o que está semeando mas terá que colher tudo o que plantou."

E eu pensava nessas frases durante esses dias refletindo sobre a história dos meus pais e, querendo dar um presente diferente aos dois, resolvi escrever um livro inspirado na luta deles. Mas isso é história para outro dia.

O que eu quero desabafar nessa postagem é sobre como temos levado a nossa vida para que ela nos leve a algum lugar.

Meus pais tiveram uma vida muito sofrida. Os dois. Mas fizeram de tudo pra dar amor, atenção, orientação e uma base para os três filhos (coisas que não tiveram). 

Quando eu estava com 14 anos, o Claudio (meu marido) foi pedir a meu pai autorização pra gente namorar. Na época ele tinha 22 anos e eu tinha um pai que era policial militar. Naquela época eu morria de medo de pisar na bola com meu pai porque não conseguia prever a reação dele. Algumas semanas depois dele ter autorizado nosso namoro, fico sabendo que uma colega estava espalhando no bairro inteiro que me viu erguendo a saia no meio da rua para o Claudio e que a minha calcinha era de renda preta.

Primeiro eu levei um choque com tal comentário e já tinha a visão do meu pai me dando uma surra ou fazendo coisa pior comigo. Depois fiquei tranquila por dois motivos: detestava saia e usava esporadicamente e não possuía uma calcinha de renda, muito menos preta. Mas a minha vontade era de dar uma surra, mas por ser uma pessoa totalmente da paz jamais faria isso ( a não ser que toquem nos meus filhos, daí eu viro leoa!).

Passado algum tempo eis que cai uma bomba na vila: ela estava grávida! Imagina, grávida aos 15 anos! Até ali eu não conhecia ninguém grávida nessa faixa etária - era a primeira - e conforme a barriga foi crescendo, teve que abandonar os estudos. Foi morar junto com o pai da criança e pensava em voltar a estudar quando o bebê estivesse maior, mas quando o bebê completou 3 meses descobriu que engravidara novamente. Até hoje não sei se ela conseguiu terminar os estudos porque tempos depois mudei de casa e de escola.

Meus pais sempre orientaram a mim e aos meus irmãos a estudarem; sempre disseram que somente tem futuro quem estuda, quem se prepara e por aí vai. É o mesmo conselho que dou aos meus filhos. Aproveite enquanto é solteiro porque depois de casado as coisas não tem a mesma facilidade e com filhos então se torna mais difícil ainda.

Então eu me formei em 1999 em Tecnologia em Processamento de Dados e me casei. Tinha vontade de cursar Pedagogia e também de ser mãe e a maternidade falou mais alto: tive o Pedro (2001), Claudinho (2003) e o João (2008), mudei de São Paulo para o Paraná e atualmente curso Pedagogia (concluo o curso em 2014). Penso eu que poderia ter a minha vida diferente se já tivesse cursado Pedagogia quando tivesse concluído o curso de Processamento, se tivesse esperado mais tempo pra casar, se tivesse juntado dinheiro e por aí vai. Certas coisas do nosso futuro não podemos prever mas não me arrependo de ter tomado as decisões que tomei pois foram as mesmas que me tornaram a pessoa que sou hoje.

Continuando... lembra da colega? Então, quando eu ainda estava em São Paulo acabei fazendo amizade com a mesma por causa de uma grande amiga que temos em comum. Com o passar dos anos - e dos problemas que ela havia enfrentado - acabamos nos aproximando e trocando muitas ideias. De vez em quando nos encontrávamos e falávamos sobre os mais diversos assuntos. Depois que me mudei pra cá nos falamos de vez em quando pelo msn. Ela teve três filhos, se separou, arrumou um outro serviço e passou a viver uma outra vida.

Agora eu não sei se ela deu alguma orientação para os filhos; alguns pais acham que basta dar roupa, brinquedos e estudo e já está bom. E não é assim: temos que conquistar nossos filhos, ser amigos deles, orientar para que evitem errar mas se errarem que assumam o erro e enfrentem as consequências. Pois bem, a filha que ela teve aos 15 anos está grávida agora e, por coincidência, ela também está. Fiquei pensando nisso: que futuro, agora, essa menina tem?

Pais e mães (e quem pretende ser um dia) orientem seus filhos. No caso dessa moça, ela está grávida mas quantos adolescentes estão ficando doentes por DSTs? Quantos irão morrer em decorrência dessas doenças? Quantos vão ter que parar os estudos para ter que criar filhos? Trabalhar e sustentar um lar? 

Tudo tem o seu tempo, é o que digo aos meus filhos. Não vamos atropelar as coisas. Ainda sou do tempo que o casal só tem filhos depois que casam.





Jac Bagis

8 comentários:

  1. Nossa, que diferença de idade! 22 para 14... ainda bem que seu pai aceitou "numa boa"

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  2. Essa é uma lição que depois de muita vivência pude aprender.

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  3. Filho não é brinquedo, conheço meninas que fazem filhos sem se preocupar, não criam, não dão educação, pois ainda são adolescentes, não tem estrutura psicológica. Penso eu que só terei filho, quando eu estiver psicologicamente preparada e ter a certeza que poderei dar o máximo possível de carinho e educação.

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  4. Essa é uma lição que com muita vivência aprendi.Realmente,tudo tem seu tempo.

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